Silvana Correia

O despertar do “Marte” coletivo – ventos mais rápidos de mudança!

Por Silvana Correia em Maio de 2021

Tema Desenvolvimento Pessoal / Publicado na revista Nº 20
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Na Alegoria da Caverna de Platão – escrito em forma de diálogo entre Sócrates e Glauco, Platão apresenta uma metáfora maravilhosa, profunda e muito atual, cheia de mitos e significados. Apresenta a dualidade entre a coragem do ser humano em liberta-se para Ser e viver o Novo, o desconhecido, a luz que assusta mas que seduz; em fazer escolhas a partir da sua verdadeira sabedoria, e em não se deixar prender pela ação ou visão míope e inconsciente do outro; e o medo deste em sair da caverna, da ilusão das sombras que parecem refletir a verdade confortável mas prisioneira, da escuridão que inebria e retira consciência e força, do apego à matéria, ao mundo visível mas ilusório que nutre a sua ignorância absoluta – escuridão interna.

Importa referir, que ao longo do artigo, debruçar-me-ei sobre o movimento de um corpo celeste – Marte, porém, ele é um instrumento que toca na Orquestra Cósmica, orquestra que nos movimenta para uma gigante e inevitável subida de vibração, consciência, frequência do Indivíduo, da humanidade. Processo lento, profundo, mas cada vez mais rápido e visível nos próximos anos. Um mundo novo. 

Ao longo do ano de 2021 em diante, vamos observar cada vez mais seres humanos a despertarem, a um determinado nível de consciência, de uma “grande ilusão” – do véu de Maya – ilusão do mundo físico, e, deste modo, a terem coragem de saírem da caverna. O nosso herói interno, na Astrologia, é simbolicamente representado por Marte – o arquétipo do herói, o Deus da Guerra para os Romanos. Representa o princípio da ação, senso de coragem do indivíduo, a vitalidade, entusiasmo, a nossa habilidade em expressar uma energia Yang – fogo, uma energia dinâmica. Numa visão macro, todos os movimentos celestes são um jogo de forças cósmicas que operam em diferentes níveis da nossa consciência - individual à consciência coletiva - humanidade. Marte fala do nosso lado mais primitivo, egoíco da nossa personalidade. Em trânsito, seu movimento no palco do céu, é um importante disparador que precipita manifestações de eventos na Terra, na nossa vida, representados pelas configurações dos planetas mais lentos. Ele é lançador de bombas que estão a ser preparadas nos bastidores – num jogo cósmico mais macro, mais profundo e lento. A qualidade das “bombas” que iremos observar materializado no palco da vida nos próximos tempos, e numa visão mais micro, é definido pelo movimento de Marte.  


Seguindo a caminhada do nosso herói no céu nos próximos dois meses, o céu que nos movimenta a todos,  a 12 Maio, Marte, em trânsito pelas energias emocionais de Caranguejo, faz sextil a Urano, que está trânsito desde 2019 a 2026 pelas energias fixas e resistentes à mudança de Touro. Estes dois rebeldes do zodíaco, estabelecem um padrão confortável nos céus, contudo, há uma energia imprevisível, eletrizante que inquieta e perturba o aparente “conforto” e segurança emocional – tira-nos do sofá. Há um objetivo maior que é o coletivo. Não é apenas uma visão míope ligada ao ego, à persona, o nosso herói é convidado a orientar a sua motivação, coragem e entusiasmo integrando o outro, uma visão humanitária, social – energia Aquariana, signo que Urano rege. O despertador cósmico – Urano, impulsiona a humanidade para a urgência de integrar novos valores alinhados com a nova vibração, com a nova energia que permeia totalmente a nossa galáxia, planeta Terra, desde 2012. Valores humanitários, uma consciência social. Não é um Marte perdido nas suas ações, é uma Marte com uma visão mais universal, sabendo integrar o seu poder e a sua força de movimento, respeitando a sua individualidade, vontade, porém, é um movimento integrado numa onda coletiva - Urano, que mudará e quebrará, as resistências e a energia fixa, muitas vezes paralisante, de Touro. Esperar um coletivo passivo, adormecido perante o desenrolar dos eventos que ocorrem no mundo, será como esperar que uma maçã largada das mãos de um indivíduo não caia no chão – leis da física, leis cósmicas que impulsionam o movimento do nosso herói interno para a emergência de lutarmos por valores e ações transparentes. É a energia da Terra de Touro a ser remexida, quebrada, rachada, destruída de uma forma profunda e imprevisível pelos heróis que saem da Caverna, para que sejam semeadas as novas sementes de mudança na Humanidade na política, ambiente, alimentação, educação, economia, nos sistemas de organização social, no sistema financeiro, na saúde.


A 31 de Maio, Marte, ainda em trânsito por Caranguejo, faz sextil a Neptuno que está em trânsito desde 2012 a 2025 pelas energias profundas, ilusórias e místicas de Peixes, a acordar a energia das nossas águas – individuais e coletivas. A despertar a nossa fé no invisível, a consciência espiritual, a abanar o Ego no sentido de o alinhar a um propósito elevado. Marte é orientado para planos de consciência mais nobres, de uma entrega para algo muito maior que ele próprio – transcende a persona. Há um propósito de fusão, de alinhamento da ação da personalidade com o propósito da alma, a sua própria natureza, está entrelaçado a todas as outras almas. Porém nesse caminho de acção, Marte pode ter enganos, ilusões, deceções, medo de acordar de um sono que, apesar de difícil é o confortável – sair da caverna. Podemos ver um aumento acentuado de comportamentos disfuncionais no indivíduo, patologias mentais e psiquiátricas. Porém, iremos observar um aumento também acentuado de cada vez mais seres humanos a serem movidos pela compaixão pelos outros – visão de família alargada – Era de Aquário, solidariedade em grande escala e criação de novas organizações que operam a esse nível 

A 5 de Junho, Marte, em trânsito por Leão, faz uma oposição, padrão desafiador, a Plutão que transita por Capricórnio desde 2008, onde estará até final de 2024 a encaminhar a humanidade para gigantes transformações nas estruturas de poder - sociais, políticas, económicas e nas nossas próprias estruturas. Plutão, Deus do Submundo, energia de morte e renascimento, das sombras e do Karma coletivo. Os ciclos de Plutão estão associados ao processo da sagrada ave greco  egípcia – a Fênix. A Fênix que ressurge das próprias cinzas simboliza a liberdade oferecida por Plutão, mas primeiro, esta energia intensa plutónica, remete-nos às profundezas do que deve ser arrancado, destruído e regenerado. Há um inconsciente e Karma coletivo a ser visto e transmutado. É o catalisador para que algo novo possa ser materializado. Marte em oposição a Plutão há um potencial de trazer para o consciente as nossas raivas, vontades e liberdades coletivas reprimidas. É o Ego em luta com uma consciência superior do que deve morrer, ser destruído para que algo novo seja materializado. Podemos observar um aumento em escala de violência, confronto entre o coletivo e as forças de poder. O lado sombra escondido e alimentado há muito pelas forças de poder, começa a ser observado pelas massas. 

Urano, Plutão e Urano, são planetas transpessoais formam o trio energético transpessoal, que vieram ajudar a humanidade no movimento da espiral evolutiva cósmica, do despertar da consciência humana que estamos todos, sem exceção, a viver. O convite cósmico é que tenhamos uma visão para além da visão pessoal e social – visão universal, planetária. São os mensageiros da Galáctica, como afirma Dane Rudhar. 

Numa análise apenas para os próximos dois meses, o nosso herói interno, energia dinâmica de Marte, que rege a nossa vontade, é ativado por um jogo de forças transpessoais - Urano, Neptuno e Plutão, a vontade pessoal é impulsionada para agir em benefício da humanidade, do seu novo sentir e olhar. Não é mais o indivíduo e a sua visão míope, a sua força e energia são agora universais, expressam-se através de um Ser que percebe que há um lado fora da Caverna. O objetivo é lutar por objetivos comuns no qual ele faz parte. O chamado “eu pessoal” é ilusório e mutável. Há um mundo externo que permeia o meu ser e eu faço parte desse mundo – Somos Todos Um – Era de Aquário. 

Silvana Correia



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