Nuno Pacheco

Aromaterapia na Geriatria e Gerontologia

Por Nuno Pacheco em

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 13
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Sempre foi preocupação da humanidade entender e combater o envelhecimento, com o objetivo de prolongar a vida humana Mas nem sempre essa preocupação se centrou em prolongar essa longevidade com qualidade de vida. Neste momento da legalização das terapias não convencionais, devemos pôr de parte as diferentes visões sobre a saúde e trabalhar em conjunto: convencionais e não convencionais. Assim, todos ficaremos a ganhar.

Os termos Gerontologia e Geriatria foram criados por dois médicos radicados nos EUA. Em 1903, o russo Elie Metchnikoff criou o termo Gerontologia para definir a nova especialidade que se dedicaria ao estudo do envelhecimento humano em todos os seus aspetos: biopsicossociais, culturais e espirituais. Seis anos mais tarde, o austríaco Ignaz Nascher criou o termo Geriatria para definir a nova ciência médica, que tinha como objetivo tratar as doenças dos idosos.

Atualmente, a Geriatria tem como objetivo o prolongamento da vida com saúde e com qualidade de vida. Ou seja, não é uma ciência que visa apenas o tratamento dos doentes e de doenças dos idosos. O seu campo de intervenção deve começar na infância, pois trata-se, sobretudo, de prevenir.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a população idosa a partir dos 60 anos de idade. No caso de Portugal, esse escalão etário é a grande massa de indivíduos que, com os problemas de natalidade a que temos vindo a assistir, continuará a aumentar. O último Censos, de 2011, diz-nos que o índice de envelhecimento da população é de 129, o que significa que, por cada por cada 100 jovens há 129 idosos.

Perante tais dados, é preciso começar a pensar diferente (se é que já não vamos tarde) e a olhar a “idade sénior” com outros olhos, utilizando novas terapias que podem ajudar a prolongar a longevidade com qualidade de vida. Sou da opinião de que o grande problema da nossa população sénior e o grande campo de trabalho de todos os que se preocupam com os problemas gerontológicos, é a falta de amor com que tratamos os nossos pais, avós e demais seniores. Muitas vezes esquecemos que eles são a razão da nossa existência; que foram eles que garantiram a nossa vida, com mais ou menos qualidade, segundo as suas possibilidades; que cuidaram de nós com amor.

Estes e outros problemas que afetam a população mais avançada e com mais experiência - outra forma que gosto de utilizar com os meus pacientes que são mais idosos que eu, logo, com mais experiência de vida – têm, agora, na Geriatria e na Gerontologia, duas ferramentas eficazes para combater a falta de qualidade das suas vidas. Antes de mais, é preciso que os especialistas nestas áreas tenham vocação e devem saber o que é amar, para poderem melhor cuidar. Não é à toa que as notícias de maus tratos a idosos são apresentadas regularmente nos noticiários, mesmo por aqueles que têm formação/informação para com eles trabalharem.

No intuito de poder ajudar os nossos seniores e de todos os que com eles vivem ou trabalham e de conseguirmos uma longevidade com qualidade de vida, fiz uma pesquisa sobre alguns casos práticos da aplicação da Aromoterapia na idade sénior, com resultados bastante interessantes.

O trabalho foi realizado em duas instituições e sintetizarei a informação, para que facilmente a possam utilizar.

O grande objetivo da Geriatria moderna é, na sua prática diária, evitar doenças que incidem na idade sénior, de forma a torná-la mais saudável e mais bem sucedida, já que em relação ao envelhecimento pouco ou quase nada podemos fazer. E se aliarmos a este objetivo as qualidades que a Aromaterapia tem, poderemos acrescentar algo que potenciará o ganho dessa qualidade de vida.

A idade sénior traz consigo limitações próprias do processo de envelhecimento: limitações e fraquezas físicas, como a diminuição da visão, audição e mobilidade; a necessidade de enfrentar a perda de entes queridos; a perda de autonomia e independência e, cada vez mais comum, a perda da sanidade mental. A Aromaterapia pode ajudar a aliviar o desconforto físico e também, com excelentes resultados, combater padrões de ansiedade, depressão e inquietação, tão frequentes na vida dos nossos seniores.

Uma das doenças que mais afeta esta população é a doença degenerativa das articulações: osteoartrites e artrites reumatoides. A Aromaterapia pode ajudar a combater estes problemas com óleos desintoxicantes, como zimbro, cipreste, funcho e limão, que vão potenciar a capacidade do seu corpo para eliminar toxinas; a camomila, eucalipto, gengibre, lavanda, manjerona e alecrim, com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, usadas em banhos, massagens e compressas locais, que permitem uma redução significativa do sintoma de dor. Na osteoporose, os óleos de citronela, cravo, eucalipto globulus, gengibre, hortelã-pimenta, lavanda, tea trea, tomilho e vetiver são eficazes a aliviar a dor.

Um outro problema que começa a tomar proporções alarmantes são os problemas mentais. Novas formas de stresse (a solidão, a perda do cônjuge ou ente querido, o isolamento…) fazem com que a depressão e a demência ganhem terreno. Se não forem combatidos a tempo, tornam-se casos sérios e limitam demasiado a qualidade de vida das pessoas. Neste caso, aconselho a utilização de difusores e massagens breves, como uma sessão rápida de reflexologia, recorrendo a uma creme com uma sinergia simples, mas bastante eficaz: toranja ou limão, pela manhã; lavanda com salva esclareia e gerânio, ao final da tarde. Uma boa reposição do sono pode ser conseguida com a lavanda, colocando duas gotas na almofada. Uma sinergia com a combinação de alguns destes óleos essenciais – camomila, salva esclareia, lavanda, sândalo e ylang-ylang – é excelente para ambientar o espaço e potenciar um sono reparador.

Podemos ainda utilizar bergamota, lavanda, néroli e rosa, excelentes para problemas de inquietação e de irritabilidade.

Para problemas de fadiga e letargia, uma das minhas combinações favoritas é a bergamota, o gerânio, a cidreira e a rosa, quer seja em creme de massagem, com difusor ou num banho (ver receita).

Nos casos de má circulação, o cipreste, o zimbro, o limão, a lavanda e, sobretudo, o alecrim, são escolhas capazes de resultados muito eficazes, quer em massagens quer em banhos.

A prisão de vente é outros dos flagelos de muitos e a Aromoterapia ajuda bastante na sua resolução: magerona, ylang-ylang, hortelã, laranja e tangerina. No banho e com uma massagem abdominal com creme no sentido dos ponteiros do relógio, são bastantes eficazes.

A falta de ânimo muitas vezes por nós testemunhada, sobretudo pela solidão e pelo abandono a que estão sujeitos os nossos seniores poderá ser eliminada pela nossa presença e por os escutarmos com amor e, claro, a aromaterapia ajudará: lavanda, alecrim, cidreira e vetiver são escolhas acertadas e recomendadas.

A Aromoterapia, a Geriatria e a Gerontologia podem e devem andar de mãos dadas, pois os resultados finais levar-nos-ão ao objetivo final de todas as terapias, sejam elas convencionais ou não convencionais: uma longevidade maior com qualidade de vida. E na idade sénior é fundamental conseguirmos um equilíbrio total em todos os aspetos da vida: físico, mental e espiritual.

A Aromaterapia tem qualidades e efeitos, mais que comprovados, que ajudam a esse equilíbrio. Haja coragem, respeito e abertura de todos os intervenientes, para, em conjunto, ajudarmos os nossos queridos seniores.

Receita para banho - fadiga e letargia

  • 2 gotas(gt) de bergamota,
  • 3gt de gerânio,
  • 4 gt de cidreira; para as senhoras,
  • 5gt de rosa.

Para um creme de massagem utilizar:

150ml de óleo de amêndoas doces + 50 de Jojoba +3gt de bergamota, 5gt de gerânio, 5 gt de cidreira; para as senhoras, 8gt de rosa.

  • Nuno Pacheco
  • Terapeuta de Medicina Tradicional Chinesa/ Aromoterapeuta
  • profnunopacheco@gmail.com

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