Nuno Pacheco

Recuperar a “Imunidade Mental”: A nossa próxima batalha

Por Nuno Pacheco em Dezembro 2020

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 18
329 visualizações

Em Abril deste atípico ano defendia que a grande batalha que teríamos de travar estava centrada no reforço da nossa imunidade, num sentido mais amplo do que entendo por imunidade e que não difere em muito da ideia geral de imunidade: A imunidade é o mecanismo de defesa do organismo contra substâncias estranhas (antígenos). O sistema imunológico é o sistema responsável por desencadear esse processo de defesa e manter, assim, o equilíbrio e bom funcionamento do organismo. 

Nesse mesmo texto defendi que a alimentação seria o palco privilegiado da construção de uma muralha defensiva, essencial para conseguirmos vencer esta guerra. Sem dúvida alguma, esta será a principal estratégia que devemos seguir para alcançarmos uma vitória segura…

No entanto, muitas condicionantes de ordem económica e social, dificultaram esta tarefa… conseguir uma alimentação capaz de nos ajudar a combater este vírus foi (e é uma tarefa enorme) o principal obstáculo com que os portugueses se depararam. E isto porque a nossa cultura está mais focada no imediato: eu preciso para agora… no futuro logo se vê…

Infelizmente não se conseguiu alcançar um patamar de mudanças de hábitos alimentares que pudessem fortalecer o nosso sistema imunitário. E, apesar da nossa grande capacidade de adaptação (sim os portugueses são dos povos que melhor se adaptam em situações de crise, independentemente da sua origem), não conseguimos mudar hábitos alimentares que potenciassem a nossa imunidade. Poderíamos dizer que é uma questão cultural, mas não… é, antes de tudo, uma falta de capacidade e de vontade para mudarmos, desculpem-me.

Passados estes meses todos, e com um panorama que foi minando a nossa própria saúde, este vírus conseguiu algo que ninguém vaticinava: ele não só atacou e pôs a nu o nosso débil sistema imunitário, como também, em consequência lógica de uma visão integrada da saúde de cada ser humano, atacou a nossa saúde mental, de tal forma que o meu apelo é: vamos apontar baterias para a saúde mental, a nossa melhor hipótese de, ainda, vencer esta pandemia e minimizar os danos colaterais associados. 

Pois é… uma vez mais vamos correr atrás do prejuízo, ou como se diz na nossa sabedoria popular: depois de assaltados, vamos meter trancas nas portas… E, descansem, ainda temos tempo para recuperar e nada está definitivamente perdido. 

Temos, de uma vez por todas, de prevenir em vez de remediar… a nossa saúde mental está enferma… está debilitada… em muitos casos moribunda… Não a deixemos “morrer”.

Quem já esteve em “isolamento” sabe que a nossa capacidade mental – leia-se IMUNIDADE MENTAL - para lidar com isso é extremamente débil e com facilidade entramos em estados de ansiedade e de depressão que, se nada fizermos urgentemente, as consequências serão devastadoras e continuaremos a ser dos países com maior consumo de antidepressivos…

Os relatos que recebi (e por experiencia própria, confesso), concluí que a nossa “imunidade mental” é posta à prova desde que paira sobre nós a possibilidade de estarmos infetados…como é que nos foi acontecer a nós, que cumprimos todas as regras de segurança, como é que fomos infetados e por quem… e agora os meus pais que são pessoas de risco, como vai ser…são algumas das questões que “massacram” a nossa mente e degradam a nossa saúde mental… Mas constatei que, Infelizmente, na maioria dos casos que acompanhei, essa preocupação só aparece depois de metermos uma zaragatoa nas narinas e esperamos os resultados aparecerem…

A Medicina Tradicional Chinesa ensina-nos que os fatores emocionais são de extrema importância para mantermos o equilíbrio interno, danificam o fluxo de Qi… enfim, provocam doenças, que serão graves se não decidirmos mudar.

O meu desejo de Natal é que todos percebam que reforçar a imunidade é fundamental (tal como defendi em Abril) e, agora, a nossa atenção deverá estar centrada na saúde mental de cada um de nós: É URGENTE RECUPERARMOS E REFORÇARMOS A NOSSA IMUNIDADE MENTAL… caso contrário, as consequências serão devastadoras.

Pois bem, agora a batalha é reforçar a nossa “imunidade mental”… porque para se Viver com saúde depende de como cada um de nós lida com o seu corpo (a alimentação, a prática de exercícios, o espaço adequado para o lazer, para o trabalho e para o repouso), com a sua mente (suas emoções) e com o meio ambiente. E, na MTC, os fatores emocionais são dos mais importantes, pois os efeitos nocivos destes nos nossos órgãos físicos, afetam o nosso equilíbrio interno, alteram do fluxo de Qi (energia), e como consequência, geram doenças.

Após tanto tempo confinados, isolados daqueles que mais amamos, tivemos um período mais ou menos longo (férias de verão, pelo menos quando eu andava na escola primária era assim), em que tudo parecia ter desaparecido e o que tínhamos vivido até então, não passava de um pesadelo, do qual acordamos e tudo estava normal. Mas não foi assim, como todos sabem.

O panorama não melhorou, a nossa saúde estava a ser atacada continuamente e pouco ou nada fizemos para contrariar a situação. Sim, grande parte da responsabilidade de tudo isto, é de cada um de nós, pois não mudamos de hábitos alimentares, não cumprimos as regras básicas e, sobretudo, não acreditamos que também nos podia atacar a nós próprios.

E quando isso aconteceu, fizemos logo uma longa lista negra de culpados e nunca pensamos que fomos os primeiros a ter o dever pessoal e social de nos prepararmos.

Fomos fechados longos dias em quartos pequenos, ou em casa, sem contactos sociais, sem a rotina da nossa vida “normal”; aí começamos a atacar a nossa saúde mental (é certo que todo o tipo de noticias e (des) informação que nos atiravam para os olhos também ajudou) e passamos de um estado de medo a um estado de raiva, num abrir e fechar de olhos… estava lançada a base de um ataque brutal à nossa saúde mental. Mas não nos preocupamos muito, lamento dizer isto. O problema estava, isso sim, no ataque ao estado de direito… à nossa liberdade, à nossa dignidade, aos nossos negócios que estavam a sofrer as consequências económicas deste isolamento sem sentido… será que isso justifica tudo? Deixo, aos leitores, a reflexão e resposta…

Mas, infelizmente, este vírus, trouxe, uma vez mais, ao de cima, aquilo que eu costumo chamar de uma redutora visão da saúde do ser humano (uma visão fundamentalmente politica) e expôs as debilidades preventivas e até curativas com que a visão da medicina ocidental tem abordado esta pandemia (aqui deixo, também o meu sincero agradecimento e louvor a todos os profissionais de saúde que combateram, desde o primeiro dia).

O estado da nossa saúde mental está bastante afetado, por isso é urgente procurarmos ajuda, pois sozinhos vai ser extremamente difícil conseguirmos recuperar de forma rápida e eficaz, para que consigamos encontrar, novamente, o equilíbrio entre corpo – mente – espírito.

Comecemos por um simples passo, para que a nossa caminhada seja segura e eficaz:

- Procuremos ajuda especializada: e com isto quero dizer, procuremos uma ajuda que aborde várias áreas e diversas visões da saúde humana. A minha sugestão é procurarem a   Medicina Integrativa, onde as várias áreas da saúde mental (ex. psicologia, acupuntura, homeopatia, naturopatia, Yoga entre muitas outras) podem trabalhar numa sinergia, para recuperarmos e reforçamos a nossa saúde mental.

Que 2021 nos traga a capacidade de mudarmos a forma como PREVENIMOS a nossa saúde... e também fundamentais para este novo ano: Paz, saúde, amor e harmonia.

Nuno Pacheco


ARTIGO SUGERIDO

Sensações...

Sensações...

Maria Ribeiro
Por Maria Ribeiro em Maio de 2020
Tema Saúde
143 visualizações

Estranhamente fui pedindo descanso.

A vida impulsiona-nos para uma luta desenfreada de poder, de domínio, de ...
Ler mais

OUTRAS LEITURAS

Murmúrios de um Tempo Anunciado

Por Pedro Elias
Caminhos de Pax, Lda.
628 visualizações
Murmúrios de um Tempo Anunciado é um romance histórico que atravessa um dos períodos mais intensos do Cristianismo. De Décio a Constantino, das perseguições à instauração do dogma, de ...
Ler mais