Jorge Balsa

Como uma árvore de coração

Por Jorge Balsa em Dezembro 2020

Tema Consciência / Publicado na revista Nº 18
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Estaremos apenas rodeados por uma espécie considerada menor que nos serve, ou poderemos nós aprender algo com a simplicidade da existência de uma trivial árvore?

A própria representação da origem, de muitas origens, está presente no simbolismo que a maioria de nós conhece como a Árvore da Vida… talvez exista muito além do véu que o atarefar diário não nos permite simplesmente observar e interiorizar.

Embebida em algumas civilizações remotas está, para além da existência de um ancestral reino arbóreo, a gratidão e comunhão com todo o reino vegetal, regularmente muito acima dos comuns sentidos.

Tão grande reverência por algo que parece tão simples e garantido aos nossos olhos… e que já nem valorizamos ao nosso redor!

De pequenos aprendemos que uma árvore é uma vida. Indo mais além aprendemos que são as responsáveis pelo ar que existe. Mas talvez… num passo maior… possamos reparar em pontos que regularmente passam ao lado da nossa atenção.

Qual a última vez que olhaste para uma árvore e agradeceste pelo oxigénio que te proporciona? Ou lhe agradeceste pela vida que tens? Pois curioso é que para além de garantirem a respirabilidade do ar que nos faz viver ainda possuem a capacidade magnífica de reverter a carga excessiva de iões positivos que nos rodeia, permitindo a proximidade do processo de alcalinização.

Quantas vezes não passeaste já por uma mata, bosque ou floresta, apenas para depois te sentires leve, revigorado, fresco e fortalecido?





Existe muito, talvez, que uma árvore nos poderia ensinar… só as histórias que as grandes árvores presenciaram seria incrível e colocariam qualquer adulto preso, a escutar, como se criança novamente fosse.

Mesmo sem consciência aparente é incrível saber que todas as árvores se ligam entre si, tecem caminhos biológicos infinitos que, mesmo numa grande cidade, agem como uma grande internet orgânica que opera incessantemente num clima de colaboração e não competição.

União, harmonia e cooperação… será que uma árvore nos pode ensinar algo? 

Se desejarmos deambular um pouco e perscrutar um entendimento metafísico…

Não será o Ser um subproduto das suas raízes, tal como uma majestosa árvore é?

Não será mais simples para um ser com fortes valores enfrentar uma intempérie na vida, tal como uma árvore com um forte tronco passar por uma tempestade?

Não serão os nossos dons, que temos para oferecer à humanidade, como ramos bem estendidos de uma grande árvore?

Não será tudo aquilo que alcançamos na vida, pelo nosso empenho e desempenho, como a frutificação de uma árvore?

A uma observação cuidada talvez nos surpreendamos… e verifiquemos que afinal as semelhanças são mais que as imaginadas.

Mas porque pousará mais facilmente uma borboleta num qualquer galho que em tuas mãos? Talvez a árvore, mais que tudo, com o seu altruísmo, resiliência e devoção, nos queira ensinar o caminho incrível da abertura do coração, devidamente enraizada na terra mas, sempre aspirando a ascensão rumo aos céus.

Nesta deslumbrante existência fractal essa profunda reflexão a ti deixo, magnífico Ser observador e pensante.

Jorge Balsa






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