Ricardo Fonseca

As emoções e a doença

Por Ricardo Fonseca em Maio de 2020

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 15
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As emoções são parte do nosso ser e estão envolvidas em cada percurso do nosso viver, afetando de forma mais ou menos positiva da forma como vivemos, nos relacionamos e acima de tudo, a forma como cuidamos de nós mesmos e da nossa saúde a um nível holístico. Não podemos dissociar as emoções de nenhum contexto da nossa vida, sendo necessário cada vez mais e nos tempos que correm promover uma saudável, consciente e adequada gestão da nossa saúde emocional, pois as emoções estão intimamente relacionadas com os processos de doença.

A relação das emoções com o processo de doença é estudado já há muito tempo, sendo que estão totalmente relacionadas e há várias hipóteses, teorias e investigações em cima da mesa referindo esta ligação indissociável. As emoções podem adoecer o nosso corpo e quando ficamos doentes adoecemos também o nosso sistema emocional, de tal forma que entramos muitas vezes num ciclo vicioso difícil de romper, ou seja, quando mais doente mais as nossas emoções adoecem, quando mais as nossas emoções adoecem, mais ficamos doentes.

Tendo em conta esta relação não podemos deixar de pensar no processo de somatização, que diz que o nosso corpo somatiza, apresentando sinais e sintomas diversos, quando as nossas emoções estão doentes. As chamadas doenças psicossomáticas são fonte de contínua investigação, pois não havendo qualquer alteração física visível, há que compreender o porquê de certos sintomas que apresentamos, estando a resposta nos nossos sistema e saúde emocionais. Quando as emoções não são cuidadas conscientemente, ocorre um desequilíbrio no nosso corpo, que começa a apresentar os mais diversos sintomas que não apresentam causa física visível, no entanto há que ter em conta um fato deveras importante: há muitas doenças que não tendo causa ou alterações físicas visíveis, as chamadas doenças invisíveis, não são de todo doenças psicossomáticas e não podem ser avaliadas de igual modo.

Seja qual for a causa da doença e a forma como se manifesta o ponto-comum é mesmo a necessidade de uma gestão emocional saudável, para que possamos reconhecer, compreender, acolher e cuidar do que sentimos, evitando assim o adoecer do nosso corpo nos seus múltiplos sistemas orgânicos. É urgente que cada pessoa ganhe a consciência da importância de gerir o que sente e como sente, para que ao cuidar da sua saúde emocional, possa prevenir o aparecimento de certas doenças e possa ao mesmo tempo, promover bons hábitos de saúde. 

Tal como nos higienizamos fisicamente, porque não nos higienizamos a nível emocional, cuidando e curando as emoções menos positivas do nosso ser? Não será importante promover hábitos de higienização emocional para estarmos bem connosco mesmos e consequentemente nos relacionarmos melhor com os Outros? De que forma cuidam das vossas emoções no vosso dia-a-dia e que importância atribuem a este cuidado essencial?

Gerir emoções não é de todo um processo fácil e muitas vezes é mesmo necessária a ajuda de profissionais de saúde que nos possibilitem uma gestão adequada do que sentimos e mais do que sentir vergonha por precisarmos de ajuda especializada, devemos reconhecer que precisamos dessa mesma ajuda quando por nós mesmos não sabemos como e o que fazer com as nossas emoções e sentimentos. Reconhecer que precisamos de cuidar das nossas emoções e que precisamos de ajuda é o primeiro passo e o passo fundamental, para podemos curar o que há a ser curado, evitando o aparecimento de um mal maior e mais difícil de cuidar e tratar.

É importante reconhecer que muita doenças psiquiátricas, como a depressão, ansiedade e/ou outros distúrbios mentais, estão intimamente relacionados com a gestão das nossas emoções que resultaram dos diversos acontecimentos da nossa vida e que para além de alguma ajuda farmacológica necessitam do maior agente de cuidados: nós mesmos, estando conscientes que queremos curar as nossas feridas, queremos sarar o passado e viver o presente, gerindo saudavelmente o que sentimos. É importante reconhecer que não nos sentimos bem connosco mesmos, com a forma como expressamos as nossas emoções e que queremos mesmo cuidar cada vez mais e melhor do que sentimos, otimizando assim a nossa saúde a vários níveis.

Para esta adequada e saudável gestão emocional precisamos de enfrentar os fantasmas do passado e as feridas que ainda não cicatrizaram, encontrando diversas estratégias que nos ajudem a gerir tudo o que sentimos. Uma das estratégias pode ser a escrita, que se torna numa grande e importante aliada, possibilitando a organização de ideias, a expressão dos mais diversos pensamentos e sentimentos e possibilitando também o confronto com o que está dentro de nós, ao apresentar tudo isso de uma forma mais clara e objetiva. Outra estratégia é estabelecer relações saudáveis e de confiança, que se tornem um porto de abrigo e com quem possamos conversar sobre o que sentimos, de modo a não aprisionar nada dentro de nós e a ter alguém com quem possamos debater ideias, sobre o que vivemos e sentimos.

É importante gerir o que sentimos, para que as nossas emoções não adoeçam e não se transformem em uma doença. É importante reconhecer os sinais e sintomas que o nosso corpo emana quando não se encontra bem e para tal, é preciso reconhecer como nos sentimos em relação a essas manifestações e o que vamos fazer com esse mesmo sentir. É importante gerir as nossas emoções, para que não sejam elas mesmas a gerir o nosso Viver.

Ricardo Sousa Fonseca


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