Maria Ribeiro

Brilhando na Arte de Pensar (Parte II)

Por Maria Ribeiro em Dezembro de 2010

Tema Opinião
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O Mestre dos Mestres era paciente para atingir os objetivos. Nada o desviava da sua rota, nunca desistia da sua vida nem das pessoas que o rodeavam. Ele sabia que há momentos em que o mundo desaba sobre nós e, por isso, pensamos em recuar. Mas nunca apontava os defeitos das pessoas ou as punia, pelo contrário encorajava-as sempre. Elas poderiam ser agressivas com ele, mas Ele exalava doçura nos seus gestos. Houve momentos em que expressou agressividade não com as pessoas, mas com as circunstâncias  ou com os disfarces que elas usavam para esconder as mazelas da alma.

Foi gentil com os seus opositores e manso com os seus carrascos. Queriam que todos corrigissem as rotas das suas vidas e fossem felizes.

Na crucificação, um criminoso ao seu lado ouviu as suas palavras, observou o seu comportamento e, apesar de estar golpeado pela dor, começou a reflectir profundamente sobre a sua vida. Ele estava a morrer numa cruz, nunca mais beijaria os filhos, teria o carinho da mulher, abraçaria os amigos e contemplaria a lua e as estrelas. Era apenas um desgraçado que se contorcia de dor. Todavia, ele foi contaminado pela inteligência e pelo amor de Jesus. Por isso, saiu do anfiteatro da dor e começou a sonhar em superar a morte. Voltou-se para Jesus e conseguiu ver o que ninguém via. Viu que por trás de um corpo mutilado, das costas dilaceradas pelo chicote e do rosto cheio de hematomas, havia uma esperança de transcender a morte e viver uma vida para lá da cortina do tempo. Para surpresa de todos, disse: “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino.” E Jesus apesar do sofrimento e da dor respondeu-lhe: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Dois homens mutilados, que deviam estar absortos na dor, discorriam sobre a eternidade. Eles tinham todos os motivos para odiar o mundo e lamentar o seu infortúnio. Mas em vez disso, ergueram os olhos e viram um panorama que ninguém conseguia ver.

Nunca na história do homem no auge da dor conseguiu motivar as pessoas a superarem o seu desespero, como Jesus. Ele conseguiu mudar o destino das pessoas até quando todo o seu corpo desfalecia. Conseguiu fazer um desgraçado agonizante voltar a sonhar. Como o fez? Levando-o a transpor a janela do tempo e aspirar a algo indecifrável e incompreensível para a ciência: a vida eterna, a imortalidade. Pouco tempo depois os seus olhos fecharam-se… Jesus ensinou que vale a pena viver, apesar de todas as perdas, dores e problemas.

Mesmo quando todas as células do seu corpo morriam e a sua emoção esmagada pela dor da crucificação, mesmo quando todos esperavam que ele gritasse de dor e fosse derrotado pela ansiedade, como qualquer um ás portas da morte, ele encheu dolorosamente o seu peito de ar e gritou: “Pai, perdoa-os porque eles não sabem o que fazem”.

Ele perdoou a quem não tinha perdão. Ele teve a coragem de perdoar aos seus carrascos. Ele não conseguia fazer inimigos, não se deixava invadir pelas mágoas e ressentimentos. Somente alguém tão livre pode caminhar pelos amargos labirintos da dor e ser tão altruísta. O Homem Jesus fez poesia no caos.

Ele era tão forte, seguro e emocionalmente estruturado, mas, ao mesmo tempo, humano, gentil, singelo e sincero. Nós represamos as nossas emoções, mas ele expressa-as. Não tinha receio de chorar à frente das pessoas. Quando sentia necessidade, falava sem constrangimentos da sua dor. No jardim das Oliveiras disse: “A minha alma está angustiada até á morte”.

Muitos homens que são líderes espirituais, políticos e académicos vivem numa redoma de solidão. Não sabem falar dos seus conflitos com os outros, e até para si mesmos dissimulam os seus sentimentos. Não admitem chorar, sofrer e ser frágeis. São deuses intocáveis. São carrascos de si mesmos. Sem perceberem, esmagam o seu prazer de viver.

Contrastando com eles, Jesus Cristo, que foi considerado o filho de Deus Altíssimo, amou ser um homem. Ele soube caminhar pelos labirintos da existência da dignidade. A sua vida e história são um exemplo vivo de que podemos revolucionar a nossa qualidade de vida.

Bibliografia – Análise da Inteligência de Cristo  / Revolucione a Sua Qualidade Vida – Augusto Jorge Cury / Academia da Inteligência


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