Andresa Cruz

Síndrome Geniturinária da Menopausa: suas manifestações e o papel da fisioterapia

Por Andresa Cruz em Outubro de 2021

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 23
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A menopausa é o nome dado a última menstruação, ocorre entre os 45 e 55 anos, sendo a idade média de 51 anos.  A medida que os folículos presentes nos ovários diminuem e a reserva de óvulos se esgota, os ovários deixam de funcionar e produzir suas hormonas, marcando assim o fim da fase reprodutiva da vida da mulher. 

Mais do que representar o fim da fase reprodutiva, a menopausa traz grandes transformações físicas e psíquicas.

Quando falamos de menopausa e seus sintomas, costumamos pensar em calores e afrontamento, alterações de humor, perda de massa óssea, aumento do peso e do volume abdominal.





Mas as alterações hormonais afetam também a região genital, levando à síndrome geniturinária. A pele da vulva e da vagina se torna mais fina e flácida, há uma diminuição dos vasos sanguíneos e da elasticidade da pele. Com isso toda a região torna-se mais seca e frágil. Ocorre uma atrofia vulvo-vaginal. 

As principais queixas são falta de lubrificação, dor durante as relações sexuais, comichões, ardor na vulva e vagina e diminuição da líbido. 

Além desses sintomas, as alterações vaginais deixam a mulher mais predispostas às infeções urinárias e vaginais, podendo ainda intensificar os sintomas de incontinência urinária.

Os sintomas da síndrome geniturinária têm um impacto negativo na qualidade de vida e sexualidade da mulher, causam dor, desconforto, constrangimento, podem afetar a rotina de vida diária, e principalmente afetar o relacionamento íntimo com o parceiro, levando ao afastamento e até isolamento social.

A síndrome geniturinária tem caráter crônico e progressivo, ou seja, os sintomas não diminuem com o tempo, tendem a se intensificar se não forem tratados.

Apesar de ser a segunda queixa mais frequente relacionada à menopausa, a síndrome geniturinária muitas vezes é ignorada pelas mulheres. Estima-se que de 35% a 50% das mulheres na menopausa apresentam esses sintomas, mas somente 7% é tratada. Em muitos casos a mulher não relata esses sintomas os médico por julgar serem normais nessa fase da vida.





Não devemos considerar esses sintomas normais, inevitáveis ou consequências do envelhecimento. Com o advento da medicina e o aumento da expectativa de vida, as mulheres passam em média um terço de suas vidas na menopausa e experimentam essas alterações ainda numa fase de vida ativa, tanto economicamente como sexualmente. Com os filhos mais independentes, é nessa fase que muitas mulheres iniciam um novo relacionamento afetivo.

Os tratamentos disponíveis envolvem aplicação vaginal de cremes à base de estrógenos, hidratantes não hormonais e fisioterapia.

A fisioterapia pélvica tem um papel muito importante no manejo e tratamento da síndrome geniturinária.

Claro que a fisioterapia não atua na causa dos sintomas (alteração hormonal), mas promove uma melhora de todos os sintomas.

Recursos como massagem perineal, exercícios, calor, vibração melhoram o aporte sanguíneo na região da vulva e da vagina, facilitando uma melhor lubrificação, promovem relaxamento, fortalecimento e diminuição da flacidez vaginal.

A fisioterapia pélvica atua também no tratamento da incontinência urinária que pode estar associada à síndrome.

A diminuição do estrógeno pode resultar também em frouxidão dos ligamentos pélvicos. Para mulher que apresenta incontinência urinária é importante um trabalho de controle e fortalecimento de tronco para otimização do fortalecimento do pavimento pélvico.

Entender o ciclo de resposta sexual, entender que seu corpo precisa de um tempo para que essas respostas aconteçam, conhecer seu corpo e seu prazer, mudar hábitos e paradigmas relacionados ao sexo fazem parte da terapia comportamental da fisioterapia pélvica.

Devemos investir em nós, entender que fim de fase reprodutiva não significa fim de vida sexual satisfatória. Devemos buscar toda informação e ajuda necessária para que essa fase seja vivenciada de forma plena e feliz.

Andresa Cruz                                                                                                                                  Fisioterapeuta                                                                                                                                         






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