André Louro de Almeida

O Retorno do Rei ( sementes de reflexão )

Por André Louro de Almeida em Outubro de 2021

Tema Consciência / Publicado na revista Nº 23
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 Quando um arquétipo - um modelo psíquico coeso que afeta tanto o Individuo como a comunidade de forma persistente ao longo de gerações - não é vivido conscientemente tende a surgir como compulsão e automatismo no comportamento coletivo. 

Um dos arquétipos fundamentais é o representante benigno de uma ordem benigna. O Rei, a Rainha. A rejeição pós-moderna de um centro transcendente, equilibrando e dando sentido a todas as narrativas secundárias, exilou o Rei, vulgarizou a Rainha.

Depois da trituração racional dos mitos o inevitável aconteceu: O Rei retorna agora, compulsivamente, sob a forma de uma sombra totalitária globalista,  temida como um pan-socialismo ou travestido como os novos  “Líderes do Povo”, libertários mas faroónicos, venerados pelas direitas radicais, como Cristos no Parlamento. 

Em ambos os casos o Rei/ Rainha bom está ausente. Há cosmética ou força ou retórica ou miragem mas não há magnetismo. Não tem o aroma do pão quente que sentimos na presença da verdade, ou de uma verdade suficiente. 

Em ambos os casos  predomina a maia física, a histeria e astralismo do encantamento emocional e a fantasmagoria da ilusão mental. 

Sem o magnetismo do veículo causal estamos condenados a arenas de mera opinião e a fantasmas psíquicos carregados de força emocional arcaica que não sabemos conter ou transformar.  

A Luz do Futuro é a Luz da Síntese entre povos, nações e culturas, síntese que existe muitas oitavas acima das operações económicas da globalização, totalmente distinta do céu pintado e regressivo do falso pietismo da extrema direita e apenas possível pelo encontro dos corações despertos.

Um grande vazio instalou-se no coração da humanidade e o grito pelo retorno do Rei, o representante operativo de uma ordem verdadeira e justa, emerge do solo da experiencia humana na direção Daqueles que Sabem, daqueles que Amam e Daqueles que detém o poder de Iniciar o Mundo. 

A nova civilização será Causal, isto é ancorada em cima, numa região além da mente, ancorada numa visão universal e cristalina. Mas para uma humanidade prisioneira da substância mental terrestre as realidades que pulsam além do mental soam a quimeras suspeitas quanto mais não seja pela ausência de uma linguagem vertical. 

Uma visão emanando do mundo das Luzes Superiores, mas cujo impulso firme é suficientemente claro,  onde houver corações abertos, para integrar as múltiplas faces do mundo mental e tornar coeso o inevitável processo de explorar novas formas de imaginação social.



A Luz das Pétalas-Mundo é agua vertical, geometria exata e promessa batismal.

Esculpidas desde o ventre central da Terra pelas próprias mãos da Deusa de Cobalto, as pétalas do Coração do Mundo abrindo-se hoje em cascatas de descargas precisas ejetam vectores-relampago, como poderosos coros de cetáceos, renovando assim a esperança infinitesimal de todas as criaturas, as brilhantes e as opalinas.

E sob a Árvore no Centro do Mundo dois corações rubi, amplificados pela majestade do Espaço, procuram o ponto secreto capaz de equilibrar os motores das pétalas-mundo com a terna fragilidade de ser.

É que os Bólides de Fogo, os Pilotos da Revelação, também conhecem as grutas subaquáticas, sob a Árvore do Mundo, onde aqueles que são completos encontrarão o Nome feminino capaz de curar a antiga ferida dos povos.

Tu dizes “O teto do mundo: a Câmara Safira de Gabriel. Nesta Terra a Harmonia Vivente virá com a descida do Livro Vivo. Soando o Verdadeiro Nome os mundos vivos se revelam.”

Eu digo “O alicerce do mundo: O Átomo-Que-Ama. Nesta Terra o Poder Vivente virá com a floração branca do tempo triplo. Abrindo o laço do tempo toda a substancia revela um manto virginal.” 

E os dois poderosos  corações rubi, o meu e o teu, afirmam: quando o Átomo-Que-Ama tocar o nadir da Câmara Safira nascerá o tempo do Livro Vivo. Novos nomes para todos. Nomes nunca antes soados. Nomes que são Horizontes.

Horizontes que se elevam com as pétalas do Coração do Mundo em nome do Grande Radiante, Aquele cujos olhos ardem em todas as direções

André Louro de Almeida





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