Francesca Scanu

Um conceito que promove a perspetiva integrativa entre valores femininos e masculinos

Por Francesca Scanu em Agosto de 2021

Tema Sociedade / Publicado na revista Nº 22
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Anti frágil : um conceito que promove a perspetiva integrativa entre valores femininos e masculinos, para uma sociedade realmente global. 

«Na teoria não há diferença entre a teoria e a prática. Na prática, sim». Yogi Berra

Estes últimos trinta ou quarenta anos tem visto a difusão de um conceito que, no inicio da sua divulgação, foi acolhido e louvado como embaixador de uma grande revolução a nível social e comunitário, capaz de inaugurar uma nova época, caracterizada pela tão esperada valorização da mulher, do universo e do universal feminino: “a igualdade entre homens e mulheres”.

A partir da introdução e da divulgação deste conceito, em todos os âmbitos da vida, tanto publica como privada, o avançar do tempo permitiu cada vez mais abertura para que mudanças, um tempo impensáveis e absurdas, puderam ser consideradas como possíveis e, finalmente, pacificamente aceites; até tornar-se uma evidencia inopinável hoje em dia : o direito ao estudo, ao trabalho e diferentes liberdades em termos de escolha sobre a conduta do caminho de vida por ambos os sexos.

Hoje em dia, tantas mulheres, como tantos homens também, no mundo inteiro, trabalham  e lutam para que este conceito seja integrado, aplicado e respeitado.

O que é, infelizmente o caso.

O meu “infelizmente” é, socraticamente (ou seja, filosoficamente) voluntario e tem o objetivo de insinuar uma duvida sobre algo que, a primeira vista, é mais do que evidente.

Através desta provocação, como era costume do grande filosofo grego Sócrates, proponho-me de observar de forma mais profunda esta evidencia, para realçar e ultrapassar os seus limites; de forma a expandi-los e a ultrapassa-los, fazendo voltar a nascer o conceito e conferindo-lhe uma forma ainda maior e mais abrangente.

Analisando no detalhe os efeitos gerados pela introdução do conceito que afirma e sustem a igualdade entre os homens e as mulheres, temos que relatar de forma objetiva que, por além dos grandes avances indiscutíveis e observáveis em termos de oportunidades e de resultados atingidos graças a aplicação deste conceito e valor, não podemos ignorar as degenerações que o mesmo colaborou a propiciar.

Entre estas, as consequências menos habilitadas para a nossa sociedade moderna concernem o feito de que uma parte considerável da população feminina (fazente parte das sociedades que integraram, no tempo, o tal pressuposto) começou a integrar e a adotar atitudes, comportamentos e valores inspirados a esses traços caracteriais excessivos e desequilibrados anteriormente prerrogativa do universo masculino e illo tempore visceralmente criticados e apontados pela mesma comunidade feminina.

Assim, um numero importante de mulheres, de todas as idades, começou a assumir como valores em que reconhecer-se qualidades e valores como : a competição, a supremacia, o despotismo, o individualismo, a racionalidade extrema, o carreirismo, o totalitarismo, o poder na sua forma absoluta, a hierarquização da sociedade, a influencia como instrumento de poder... e muitas mais que poderiam ser nominadas.

O resultado mais problemático derivado desta nova realidade foi que, por tornar-se ainda mais presentes e reconhecidos a nível social e comunitário, estes valores foram assumindo uma conotação progressivamente mais e mais “normal” e pandemicamente aceite.

Por além disso, sendo a sociedade moderna regida pela visão dualística, a qual tem tendência a excluir valores e conceitos entre eles opostos, tanto as mulheres, como os homens atribuíram menos importância a valores e qualidades que um tempo constituíram uma grande contribuição do universo e do universal feminino á evolução e ao crescimento interior e exterior da sociedade : a compreensão, a diplomacia, a prudência, o compromisso, a visão a largo prazo e muitas mais.

Por estas razões, solicito, por este meio, a importância e, quase, a urgência dum ampliamento do conceito que foi garante, illo tempore, duma grande evolução na sociedade e que hoje manifesta ter atingido o seu limite.

Tal evolução pode afundar as suas raízes no poder que pode ser exercitado pelas palavras, e começar com a substituição do termo igualdade – igual, com o termo complementaridade – complementar. 

Afirmar e defender que “Os homens e as mulheres são complementares” destaca e valoriza os dois universos e os referentes dos dois universais, sublinhando a importância das diferencias, no objetivo duma colaboração necessária a uma real e permanente evolução. 

A visão que escolhe adotar uma perspetiva integrativa e complementar em vez de exclusiva está a ser reavaliada em vários âmbitos da investigação, entre os quais, o campo filosófico, económico, politico e psicológico.

Entre os grandes escritores que estão a empenhar-se na difusão desta grande evolução do paradigma de referencia, merece ser nominado o Nassim Nicholas Taleb, ensaísta, matemático e académico libanês, o qual propõe uma leitura mais amplia dos valores e das qualidades extraíveis do conceito de fragilidade.

Ele propõe a introdução do termo e do conceito de Anti frágil o qual resulta da combinação do termo frágil com o seu oposto, ou seja não frágil; o qual difere do seu contrario robusto, sólido, pelo feito de que o Anti frágil carateriza-se pela capacidade a tornar-se - ou tornarmos - mais fortes, mais resistentes e mais preformantes após um choque, um estres, um traumatismo, um golpe, um acontecimento perturbador não previsto.

A projeção em termos aplicativos deste conceito é, ainda, imprevisivelmente proveitoso em inúmeros domínios da esfera social e privada e, seguramente, merece ser explorado e divulgado.

Por outro lado, é um grande exemplo das perspetivas que vão poder surgir logo que esta mudança de paradigma vai ampliando-se e vai tornando-se uma nova evidencia que alimentara e que estimulara o desenvolvimento da sociedade.

O caminho para uma perspetiva mais global está a ser talhado … a cada um de nos escolher percorre-lo.


Francesca Scanu

Naturopata e Diretora do Ensino Polo Naturopatia

Escola L’Académie - France  


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