Joana Fitas

O Feminino e o Masculino numa conspiração matemática no Petit Lenormand

Por Joana Fitas em Agosto de 2021

Tema Desenvolvimento Pessoal / Publicado na revista Nº 22
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Lei do Género: o género está em tudo: tudo tem os seus princípios masculino e feminino, o género manifesta-se em todos os planos da criação.

Hermes Trismegisto

Falar do feminino  tornou-se premente, não só pelas circunstâncias históricas, que o tema da emancipação aflorou, mas também pela evolução natural dos processos de cura. Ainda assim, tão importante falar do sagrado feminino, ou masculino, é falar da harmonização de uma energia com a outra.

Se entendermos o Ser Humano na sua totalidade percebemos que não somos só isto, ou só aquilo, isto é, não somos só energia feminina ou energia masculina, ainda que reconheçamos que o facto de ambas as energias não estarem harmonizadas implica um trabalho, que muitas vezes, é direcionado apenas a uma delas. Mas, quando o masculino e o feminino se juntam, equilibrados, curados, constroem algo melhor, numa harmonia mais perfeita.

Nesta apresentação, a minha proposta vai no sentido de compreendermos que uma não vive sem a outra, e que o segredo é conciliá-las, harmonizá-las, integrá-las, e, com isso, sermos mais inteiros, mais plenos e completos.

Irei usar o oráculo Petit Lenormand (baralho cigano) como exemplo, já que nos mostra como ambos estão intimamente ligados. Para isso vou destacar as lâminas do Homem (nº 28) em relação com a do Sol (nº31), e a  da Mulher (nº 29) em relação com a da Lua (nº 32).

Os números de cada lâmina serão ainda objeto de análise, para compreendermos como conseguimos integrar a energia feminina e a energia masculina em algo mais perfeito e concertado. As lâminas do Homem e da Mulher deverão ser entendidos enquanto arquétipos, e não como representativas de um homem ou de uma mulher enquanto género, como perceberemos.



Assim, temos a energia da Mulher (nº29) associada à energia da Lua (nº32), energias yin, com ligação à água, às emoções, à sensibilidade; e à terra, que favorece a realização com estrutura, uma atitude realista e, também, nutridora em relação à vida. Favorecem o tato, o jogo de cintura, o encontro do outro, a compreensão e a empatia, quando harmonizadas; pelo contrário, remetem para o ciúme, possessividade, controlo, e descontrolo das emoções.

A lâmina da Mulher (nº 29) está ligadas ao Às de Espadas, que relembra que a energia feminina deve aliar-se à masculina (espadas), a intuição, sensibilidade, a capacidade de influenciar, deve ter em conta um objetivo concreto, isto é, ter uma clara noção da realidade,  objetividade e, até, a frieza.

A lâmina da Lua (nº 32),  também de energia feminina está ligada ao 8 de Copas, que aflora a noite, e a dificuldade das decisões que são tomadas nela, potenciando o lado emocional de cada uma delas, as ilusões proporcionadas pelos medos, a hesitação que o desconhecido causa, o que, novamente, é do âmbito da energia yin.

Assim, temos que a Mulher, tal como a Lua, sabe agir sem se fazer perceber, na noite, para além da luz, pelo que se torna uma influenciadora, sem ter de dar nas vistas, ainda que qualquer medo seja aumentado, qualquer ilusão saia mais distorcida.

Percebemos, assim, que há uma íntima relação, até mesmo ao analisarmos os ciclos da mulher, percebemos que estão alinhados com os da lua. Tradicionalmente, a duração de uma gravidez era contabilizada pelo calendário lunar, que é um calendário lunar, muito mais próximo da nossa natureza. A Lua, enquanto satélite, influencia as águas, as diferentes fases fazem as águas comportarem-se de forma diferente, e água é emoção.

Esta Lua estabelece uma relação de dependência em relação ao Sol, tal como o Yin e o Yang, já que aquela reflete a luz daquele, mostrando-se nas suas diferentes fases, ensinando-nos que tudo muda, nada permanece igual no tempo. Uma mudança muito provocada pelas duas energias, masculino e feminino.

Por outro lado, a energia do Homem (nº 28) é associada à energia do Sol (nº 31), energias yang, ligadas ao fogo, à construção, à realização; e ao ar que favorece a razão, a lógica, a intelectualidade, mas também muito ligada à estratégia militar (uma relação que se torna mais evidente quando associamos o ar no naipe de espadas). Pelo que favorece um comportamento dirigido, com uma finalidade, uma criatividade que resulta em impulso direcionado a algo, favorece a lógica; se negativo, tende a ser agressivo e violento, dominador sobre tudo aquilo que rodeia, com uma atitude demasiado dominante.

A lâmina do Homem está ligada ao Às de Copas, o que nos recorda que não há atuação, sem ponderação, que não há realização sem um objetivo coerente. Por que, como vimos, a energia masculina (lâmina do Homem) favorece a ação, o fazer acontecer, temperado com o Às de Copas que o recorda que ninguém consegue realizar os seus objetivos sem saber ouvir a intuição, sem temperar a determinação com a empatia.

Associada à lâmina do Homem, temos, então, a do Sol que se relaciona com o Ás de Ouros, ambos muito dirigidos, novamente, a ação, o fazer acontecer, realizar com estrondo, sem passar despercebido, procurando a apreciação, a valorização. O Sol procura o reconhecimento daquilo que faz, e pode ter qualquer iniciativa apenas para ser o centro das atenções, tal como no sistema solar.

Vamos agora analisar do ponto de vista da numerologia.

A partir da soma dos seus números (28+29+31+32=120=3, e ainda, o 30, 1+2=3 e 0=30) somos levados a algo maior, que integra as duas energias, e que medeia a sequência das cartas: o 30, Lírios.

Esta lâmina medeia as das personagens, Homem e Mulher, e as dos astros, Sol e Lua, o que não me parece que seja por acaso, e apenas mostra a inteligência deste oráculo, sublinhando a relação, a necessidade de equilíbrio e harmonização, é um alerta para percebermos que devemos consagrar, celebrar em nós tanto uma como outra energia.

A energia dos Lírios é em si mesmo feminina e masculina, uma androginia que se percebe na sua compleição: quando fechados, têm uma representação fálica, que remete para a energia masculina, quando abertos assumem a forma de um recetáculo, de uma copa, o que alude à energia feminina. Numa flor, que tanto me faz escrever, percebemos a plenitude, que, totalmente integrada, favorece a harmonia, a estética na sua perfeição.

Voltando à numerologia, conforme fizemos anteriormente, percebemos que a soma das lâminas da Mulher (29) e da Lua (32) resultam num 7 (29+32=61=7), que nos remete para a carta da Cobra. Em relação à carta do Homem (28) e do Sol (31), temos um 14 (28+31=59=14), o que leva até à Raposa.

Percebemos, assim, que, no limite, a energia feminina transforma-se na masculina: Cobra (nº 7), fria, focada, fálica; e que a energia masculina se transforma na energia feminina: Raposa (nº 14), manipuladora, sedutora, inteligente, que sabe usar os seus recursos.

Penso que se tornará agora mais simples perceber que em cada um de nós coexistem ambas as energias, e que quanto mais harmonizadas e integradas forem, mais plenos e completos seremos. Sendo, portanto, este o desafio, perceber de que forma ambas as energias, o masculino e o feminino, se manifestam em mim, e o que posso fazer para que a sua manifestação seja a mais harmoniosa possível, contribuindo para uma construção de mim mais plena.

São ambas essenciais para a nossa atuação no dia a dia, de forma mais equilibrada e coerente, conciliando harmonicamente razão e coração, vontade e estratégia, intuição e escolha, objetividade e jogo de cintura. Saber o que quero, como quero e como conseguir, isto é, o que posso e o que devo.

Vamos, então, perceber se ambas estão equilibradas em nós?

Para os que gostam de cartas, vou propor um spread de jogo, desenhado para este artigo, para que possa fazer a sua própria análise e tirar o máximo proveito, no sentido do desenvolvimento pessoal.

Pré-selecione uma carta que represente a energia feminina e outra que represente a masculina, retirando-os do baralho, e coloque nas posições A e B. No caso vou utilizar a Lua para representar a energia feminina e o Sol para representar a energia masculina – uma escolha que pretende ser prática, já que são cartas comuns aos vários tipos de oráculos.

As restantes cartas são baralhadas e vão sendo retiradas com o objetivo de responder a cada questão, se não ficar esclarecido com uma lâmina por casa poderá tirar outra(s), no caso de usar Lenormand poderá tirar 3 por casa. No fim faça a sua análise, de forma objetiva.

Joana Fitas




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