Francesca Scanu

Em breve a rubrica Eudaimonia! Venha descobrir que a melhor forma de ser “normal” é ser único!

Por Francesca Scanu em 2021-03-17

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Provavelmente cada um de nós já experimentou na sua vida a sensação de lutar ardentemente para perseguir um objetivo, comunitariamente considerado normal e de sentir no seu profundo, de forma muito subtil, quase impercetível, que esse mesmo objetivo, na realidade, não só não o estava a satisfazer como era suposto, mas, pelo contrario, era fonte de emoções e de sensações muito contrastantes.

Porém, seguia perpetuando o esforço para o alcançar.

O poeta latim Gaio Valerio Catullo, no primeiro século a.C. escreveu o celebérrimo poema Odi et Amo, no intento de dar voz a tal dilema; responsável de uma tal batalha sem pausas e sem vencedores, mas que continuava a ser, cegamente, alimentada.

Odi et Amo

Quare id faciam fortasse requiris.

Nescio, sed fieri sentio et excrucior.

Carme 85 - G. V. Catullo – Poeta Latim, I século a.C.


Em português, o poema diria :

“Odeio e amo. Talvez queiras saber "como?"

Não sei. Só sei que isto é e que sinto-me como numa cruz.

Tradução: Francesca Scanu

No caso específico do poeta, ele procurou expressar em versos emoções derivantes dum amor “clandestino e impossível”, para uma mulher que já era a esposa de um personagem público da época.

Mas o que fazer quando tais sensações derivam da conduta diária para a construção do próprio caminho de vida?

Todos temos a preocupação em ser “normais”, ou de resultar tais aos olhos da sociedade.

Todos atuamos de forma a que os nosso atos, propósitos, escolhas, até êxitos sejam socialmente reconhecidos e avaliados como “normais”, e ao mesmo tempo, evitamos todo o que nos levaria a ser vistos ou definidos como “anormais”.

Até, nas nossas comunicações privadas e profissionais utilizamos comummente a palavra “normal” como sinonimo de “bom, justo, correto, apropriado”.

Mas, já refletiram sobre o facto de que, etimologicamente, a palavra “normal” provem da palavra latina norma e pode ser aparentada com os conceitos de regra, convenção, regulamento, modelo, costume, paradigma, etc.?

Agora, sem excluir a necessidade de normas e padrões éticos para a salvaguarda de uma convivência pacífica, ordenada e civil ao interior duma sociedade, o qual constitui um dever e um direito para cada cidadão; podemos questionar as desvantagens derivantes dos limites frequentemente impostos pela necessidade de aderir a normas comunitárias que, embora constritoras, nos facultam a aceitação como membro da mesma.

Os conflitos interiores mencionados na introdução ao presente artigo, os quais podem ser vividos de forma manifesta ou silente, são de grande atualidade na nossa sociedade e quando se tornam crónicos ou patológicos podem originar obstáculos para o descobrimento, o desenvolvimento e a exploração dos traços únicos e específicos de cada individuo.

Cada um de nós caminha em direção da sua realização, a qual subsiste sob um plano pluridimensional que engloba, pelos menos, três dimensões: o seu papel em quanto: a) membro duma sociedade, b) componente duma cultura (ou de mais culturas) e c) em quanto individuo.

Tal estrutura integrativa foi bem ilustrada pelo sociólogo holandês Geert Hofstede, no seu livro de 2005 Software of the mind, o qual se serviu da imagem dum triângulo tripartido para mostrar os substratos que participam (frequentemente de forma insciente) a constituição do ser.

Como podemos observar na imagem aqui acima, a base do triângulo descreve a filiação á raça humana.

Tal condição é universal, hereditária e, para os homens, impossível de alterar.


Na parte central do triângulo, o sociólogo mostra como cada ser seja parte integrante duma cultura (ou mais do que uma), a qual se sustenta e se perpetua graças á adesão dos seus componentes a valores e regras comuns.

Este segundo nível desenvolve-se e solidifica-se a través do processo educativo que se desencadeia ao longo da vida e, por além disso, carateriza-se por ser sujeito, ainda na mesma cultura, a variáveis temporais; sendo que, em época históricas diferentes, uma mesma cultura reconhece e se reconhece em princípios diferentes, gerando novas regras de convivência, que quando observadas, respeitadas e aplicadas, se fazem garantes da ordem pública.

Tal visão diacrónica permite destacar o facto de que trata-se de um nível modificável, evolutivo e garante do progresso e do crescimento da sociedade em questão.

Acerca disso, a historia e a antropologia nos ensinam que as sociedades que fizeram a escolha de fechar-se à evolução e aos câmbios, cronicizaram as suas fraquezas e implodiram.

Na ótica da abertura que queremos proporcionar a través deste artigo este ponto é muito importante, quase fundamental, porque abre ao poder e ao dever de contribuição neste sentido que cada individuo tem.

Efetivamente, reflexionar e trazer ao quotidiano de cada um este elemento fundamental acerca do funcionamento das sociedades, convida e responsabiliza cada cidadão a ser ator ativo do seu próprio crescimento e do seu desenvolvimento.

Cada um tem o direito e o dever de descobrir, desenvolver e por em prática as suas capacidades, qualidades e potencialidades, no objetivo de contribuir ao crescimento positivo da sociedade naquela ele vive e cresce.

Este elemento aproxima e une o segundo nível do triângulo com o seu topo, o qual aloja a personalidade, a marca individual de cada ser.

A pessoalidade se alimenta a través da relação continua entre as heranças provenientes duas camadas inferiores (que o psicólogo C. G. Jung chamou de inconsciente coletivo) e as escolhas, as eleições de vida realizadas de forma consciente pelo individuo, as quais, para poder participar de forma ativa à sua própria evolução e, indiretamente, aquela da sua sociedade, deveriam ser a manifestação da sua unicidade.

Portanto, quando experimentamos as sensações mencionadas na introdução a este artigo, pode ser que estejamos a deixar que as regras e os valores sociais, culturais, familiares, empresariais, escolares ou de outro grupo ao qual pertencemos, estejam a dirigir de forma preponderante os processos de criação do nosso caminho de vida. Mas, se logramos abrandar, por momentos, a corrida em direção daquele que achamos ser o nosso objetivo e paramos um momento para perguntarmos de forma sincera :

«Quem é realmente à origem de tal objetivo?»

Pode ser que consigamos aumentar a perceção dos sinais que provêm do nosso corpo e da nossa mente e ouvir o que eles mesmos nos sugerem como alternativas ao o que nos é desconfortável ou ao que nos resulta fortemente dissonante relativamente aos nossos valores individuais.

Desta forma, com mais consciência relativamente ao que realmente é importante e faz sentido para cada um, fazer escolhas e criar objetivos realmente pessoais resultara seguramente mais fácil.

Este segundo elemento precisa de tempo e duma consistente adesão comunitária, porém, começar é a melhor maneira para a realizar!

A rubrica “Eudaimonia: conhecer e conhecer-se para ficar jovens dos 16 até os 120 anos” quer contribuir a tal propósito e será gratuitamente disponível para os leitores da revista Espaço Aberto a partir do mês de abril de 2021.


Vamos partilhar informações, inspirar reflexões e alimentar novas conceções e novos pontos de vista sobre temas relacionados com o desenvolvimento pessoal e com o bem estar psíco-físico-emocional.

Na rubrica Eudaimonia, vão encontrar lugar temas como: O poder da criatividade; Os benefícios da solidão; Porquê é importante errar?; A verdadeira dúvida é se seja possível não ter duvidas; Como aprender a ser seu amigo; A real perfeição reside na imperfeição etc.

Estes temas são dirigidos aos jovens, mas não só aos que exibem um número até vinte e cinco no cartão de cidadão; mas sim aos jovens dos 16 até os 120 anos que consideram que o caminho é ainda muito comprido e que está aberto para aqueles que acreditam com determinação que os seus objetivos pessoais, profissionais, familiares etc. estão e espera de ser concretizados.

Aqueles que ainda não têm: não se preocupem, os vossos objetivos estão ali, só aguardam de ser respirados.

No número de abril 2021 da revista Espaço Aberto, vão descobrir mais informações e o primeiro artigo da rubrica!

Todos nós da redação e todos os vossos sonhos e os vossos projetos estamos já a vossa espera!

Francesca Scanu

Coordenadora da rúbrica Eudaimonia

Terapeuta & Formadora em

Abordagem Equilíbrio Bio-Integrativo & Dinâmico



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