Ana Sofia Silva

A importância das plantas medicinais na nossa saúde

Por Ana Sofia Silva em Agosto 2020

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 16
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As plantas medicinais são usadas em prol da saúde há milhares de anos. Inicialmente eram utilizadas de uma forma empírica, sendo através da sua experimentação, que os povos selecionavam as plantas de maior interesse.

Existem várias referências históricas, que nos mostram a evolução da sua utilização no tratamento das mais variadas patologias e temos como exemplo, o Papiro de Ebers (1500 AC), que é uma colecção de 800 fórmulas, onde se encontra as indicações sobre 700 drogas locais e exóticas (papoula, ginseng, rícino, romã, mandrágora, mirra, incenso, aipo, coentro, azeite) usadas no tratamento de doenças internas, de afecções oculares, ginecológicas e dermatológicas.

Actualmente, todos nós recorremos ao poder terapêutico das plantas para prevenir, atenuar ou tratar sintomas e patologias. Cada vez mais, temos ao nosso dispor informação credível e científica, que nos vem comprovar e assegurar as acções terapêuticas dos seus constituintes activos.

Quem nunca tomou um chã de camomila para uma dor de estômago ou um chá de cidreira para acalmar? Desde muito cedo que somos habituados a introduzir nos nossos hábitos a toma de um chá, inicialmente porque a mãe ou a avó nos diz que faz bem, posteriormente porque vamos querendo saber mais e optar por opções com menos efeitos secundários e é aí que continuamos a recorrer às plantas medicinais.

Como mencionado anteriormente, são os constituintes activos que dão às plantas os vários efeitos terapêuticos, tais como: anti-inflamatório, analgésico, ansiolítico, protector hepático, venotónico, etc.

Agora, nunca devemos esquecer que o que é natural também pode provocar dano, ou seja, devido a estes constituintes activos que têm as suas acções farmacológicas, estes podem interagir com medicamentos, podem provocar ou potenciar sintomas e alguns podem até provocar toxicidade.

A título de exemplo, vamos conhecer um pouco melhor o potencial terapêutico da Alfazema ou também muito conhecida por Lavanda (Lavandula angustifólia Miller) e alguns cuidados a ter.

Esta é, sem dúvida, uma planta muito utilizada no Sistema Nervoso, principalmente nos casos de ansiedade, stress, depressão e insónia. O seu óleo essencial é o constituinte mais estudado farmacologicamente, onde predomina o linalol, acetato de linalilo, entre outros. Podemos utilizá-la através das suas partes aéreas floridas numa infusão ou então o próprio óleo essencial, que é muito usado em aromaterapia.

Pode dizer-se que este óleo essencial é um poderoso complemento terapêutico, por via da inalação, tópica ou mesmo ingestão. No entanto, ressalvo que a via da ingestão implica mais cuidados e conhecimentos, pois um uso abusivo, doses não terapêutica ou uso prolongado vai provocar efeitos secundários. Aliás, a sua ingestão tem algumas contra-indicações e efeitos secundários, nomeadamente em doses não terapêuticas pode provocar neurotoxicidade. Assim, a minha sugestão para um uso mais generalizado e sem grandes precauções é, sem dúvida, a sua utilização por via tópica (diluído num óleo ou base vegetal) ou por via da inalação (através de um difusor ou pequenas inspirações directamente do frasco). Ainda assim, na dúvida será sempre importante recorrer a um terapeuta credenciado para que não haja danos na sua saúde.

Exemplos da sua utilização em momentos de stress, ansiedade ou insónia: colocar 2 a 3 gotas diluídos num pouco de óleo base (ainda que este é dos poucos que podem ser utilizados directamente na pele) e podem aplicar no plexo solar ou na face interna do pulso e ir respirando profundamente; podem colocar 2 gotas na almofada antes de dormir ou então fazer pequenas inspirações directamente do frasco durante o dia.

Na Naturopatia, as plantas medicinais são obviamente um recurso constante, isto porque sabemos que temos nelas um aliado fortíssimo na prevenção e tratamento das mais variadas patologias.

No entanto, torna-se cada vez mais imperativo, o seu uso consciente, principalmente quando é um recurso como auto-medicação.

Ana Sofia Silva


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