Ricardo Fonseca

Escrever para conhecer

Por Ricardo Fonseca em Abril de 2020

Tema Opinião
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O ato de escrever acompanha a nossa Vida desde os tempos da nossa infância, sendo utilizado em diversos contextos e explorando múltiplas situações do nosso dia-a-dia.

A escrita torna-se assim uma importante ferramenta para o desenvolvimento do nosso interior, sendo uma aliada para o nosso desenvolvimento pessoal, nosso auto conhecimento e consequentemente potenciando o conhecimento que temos das pessoas com quem nos relacionamos.

As palavras atribuem um novo significado aos nossos pensamentos fruto das nossas emoções e podem explicar alguns dos comportamentos, atitudes sendo assim uma forma de entendermos as nossas vivências, experiências e relações. Quando escrevemos aquilo que sentimos estamos a desbravar um caminho até ao nosso âmago, a redescobrir a nossa essência, a permitir ao nosso ser entender o que se passa no seu interior.

Todos nós escrevemos no nosso dia-a-dia, como por exemplo o envio de mensagens escritas, a atualização de estado no Facebook, os lembretes que espalhamos pela casa, as dicas na nossa agenda. Também somos envolvidos pelas palavras quando lemos um livro, um artigo, assistimos a um filme e recebemos múltiplas mensagens de publicidade que fazem com que nos debrucemos sobre a sua importância.

Pode parecer confusa a ideia de nos conhecemos quando escrevemos em vez de utilizarmos o discurso oral, a interação com os nossos amigos e familiares. Quando escrevemos sobre nós, não há interferência de opiniões alheias e todos os pensamentos que expressamos são genuinamente nossos e nós somos os donos das nossas memórias, experiências e sentimentos.

Uma das situações onde a escrita é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento, por exemplo, é em casos de perda. Perder algo ou alguém é fonte de inúmeros sentimentos que nos confundem, nos fazem viver um turbilhão emocional e neste sentido, quando expressamos todos esses aspetos numa mera folha de papel, quando desabafamos connosco mesmos estamos a reinterpretar quem somos e a situação que estamos a viver.

Outra forma, mesmo que passe despercebida aos olhos de muitas pessoas, é a escrita de cartas que são grandes fontes de informação que levamos até aos outros e tornam-se ainda mais importantes se tivermos a ousadia de escrever para nós mesmos.

Podem perguntar o porquê de escrever a nós mesmos e de uma forma muito sumária posso enumerar algumas razões pelas quais devemos escrever-nos. Na nossa carta podemos expressar a gratidão por todas as situações que nos permitimos viver através das nossas escolhas originárias de situações mais ou menos positivas; podemos pedir perdão e perdoar o nosso ser pelos erros, pelas culpas, pelos medos, pelos abandonos, pelas ilusões, pelos enganos. Este ato tão individual só será meritório se aceitarmos genuinamente as nossas emoções independentemente de as julgarmos pelos filtros morais e éticos com os quais formos educados.

A escrita pode ser utilizada em outras tantas situações como na expressão e compreensão dos nossos sonhos, estabelecimento de objetivos, conhecimento dos nossos medos, da nossa missão de Vida, essencialmente de quem somos.

Em jeito de desafio, experimente escrever uma carta para si mesmo e inicie a viagem dentro de si.

Ricardo Sousa Fonseca


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