Maria Ribeiro

Brilhando na Arte de Pensar (Parte I)

Por Maria Ribeiro em Dezembro de 2010

Tema Opinião
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Houve um homem que viveu há muitos séculos e que não apenas brilhou em sua inteligência, mas teve uma personalidade intrigante, misteriosa e fascinante.

Ele conquistou uma fama indescritível e o mundo comemora o seu nascimento. Todavia, em detrimento de sua enorme fama, algumas áreas fundamentais da sua inteligência são pouco conhecidas. Ele destilava sabedoria diante das suas dores e era íntimo da arte de pensar. Esse homem foi Jesus Cristo.

Sua história teve particularidades em toda a sua trajetória, do seu nascimento á sua morte. Ele abalou os alicerces da história humana por intermédio da sua própria história. O seu viver e seus pensamentos atravessaram gerações, varreram os séculos, embora nunca tenha procurado status social e político.

Ele não cresceu sob a influência da cultura clássica da sua época. Quando falava, produzia pensamentos de inconfundível complexidade. Tinha pouco mais de trinta anos de idade, mas perturbou profundamente a inteligência dos homens mais cultos da sua época. Os escribas e os fariseus, que eram intérpretes e mestres da Lei, que possuíam uma cultura milenar rica, ficaram chocados com os seus pensamentos.

A sua vida sempre foi árida, sem nenhum privilégio económico e social. Conheceu intimamente as dores da existência. Contudo, ao invés de se preocupar com as suas próprias dores e querer que o mundo gravitasse em torno das suas necessidades, ele preocupava-se com as dores e as necessidades alheias.

Raramente alguém passou pela sobrecarga de stress por que Jesus Cristo passou.

Nasceu num estábulo. Com menos de dois anos, já estava condenado á morte por Herodes. Os seus pais apesar da riqueza interior, não tinham qualquer estatuto social. O adolescente Jesus tonou-se carpinteiro. Porque foi ele um carpinteiro? E não um agricultor ou um pescador? Esta é uma questão importante. De acordo com o apóstolo Lucas, com doze anos de idade o adolescente Jesus já sabia qual era a sua missão. Quando tinha trinta anos, começou a dizer pormenorizadamente como morreria, quando nem se quer havia uma ameaça no ar sobre ele.

Porque terá sido carpinteiro? Jesus morreu com as mesmas ferramentas com que trabalhava: martelo, pregos e madeira, as mesmas que um dia o destruíram. A profissão poderia gerar milhares de zonas de conflito na sua memória, destruindo completamente a sua alegria, sociabilidade, segurança e criatividade. Cada vez que cravava um prego de madeira, provavelmente sabia que um dia as suas mãos e pés seriam cravados numa cruz. Maria, a sua mãe, certamente lhe recomendou inúmeras vezes para que tomasse cuidado com as ferramentas que usava. Ele, como filho dócil e amável, obedecia. Mas no íntimo do seu ser talvez dissesse: “Mãe, por mais que eu tenha cuidado, essas ferramentas, um dia, serão usadas para me crucificar.”

Por passar por inúmeras situações de stress durante a sua vida, era de esperar que ele se tornasse uma pessoa ansiosa, irritada, insegura. Mas, quando falou ao mundo, mostrou ser a pessoa mais serena, tranquila e segura que pisou a terra.

Para Jesus, o perdão tornou-se poesia e a tolerância. Por isso ele nunca desistia de ninguém. O seu amor era incondicional. Tal amor protegia a sua memória contra o lixo social e tornava-o livre, sereno e seguro. Quando Pedro o negou pela terceira vez, Jesus voltou-se para ele e alcançou-o com o olhar. Estava mutilado, ferido, mas livre por fora, mas preso no medo. Jesus abriu as janelas da sua mente e com o seu olhar penetrante quis dizer: “Pedro, podes negar-me, mas eu nunca me esquecerei de ti. Podes rejeitar-me mas os meus olhos dizem que ainda te amo e não desisto de ti”. Quando a sua boca estava impedida de falar, ele falava com os olhos.

Nunca na história alguém no auge da dor geriu os seus pensamentos, caminhou de maneira digna no labirinto da emoção e fez gestos tão eloquentes. Brilhou no caos. Pedro saiu de cena profundamente perturbado. Saiu e foi chorar. Cada lágrima era uma lição de vida. Pedro começou a amadurecer depois de conhecer os seus limites e fragilidades. Desse modo, o seu “eu” adquiriu ferramentas para gerir a sua ansiedade e reeditar o filme do seu inconsciente.

Ele tornou-se forte com o seu gravíssimo erro. Porquê? Porque aprendeu a caminhar dentro de si mesmo. Pedro achava que era forte e nunca negaria o seu Mestre, pois amava-o muito. Mas a sua inteligência foi bloqueada pelo medo. Ele teve que percorrer o labirinto da sua alma e explorar áreas que não conhecia. Desse modo, aprendeu a ser tolerante e flexível com os erros dos outros. Aprendeu a incluir e não a julgar. Aprendeu a perdoar e não a condenar.

Bibliografia – Análise da Inteligência de Cristo / Revolucione a Sua Qualidade Vida – Augusto Jorge Cury / Academia da Inteligência


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