Isabel Moreira

A importância da Vitamina D

Por Isabel Moreira em Março de 2013

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 13
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A questão da vitamina D está subvalorizada, em Portugal. Como vivemos num país com sol, pensa-se que é inútil pedir análise à vitamina D, ou fazer qualquer suplementação. Na realidade, tem-se verificado que cada vez mais as pessoas aparecem com carência desta vitamina, mesmo as que apanham sol. Na minha prática, tenho verificado que cerca de 80% a 90% dos meus doentes apresentam falta da vitamina D.

A Vitamina D3 (ou calciferol) é lipossolúvel, sendo essencial para manter o equilíbrio. É também conhecida como calciferol e vitamina antirraquítica. É uma vitamina que promove a absorção de cálcio (após a exposição à luz solar), essencial para o desenvolvimento normal dos ossos e dentes. Novos estudos têm revelado que atua também no sistema imunológico, no coração, no cérebro, no combate à depressão, nalguns tipos de cancros e ainda na secreção de insulina.

É uma vitamina obtida a partir do colesterol, como precursor metabólico através da luz do sol, e de fontes alimentares. No fígado, transforma-se em 25-hidroxi vitamina D. Nas análises sanguíneas, para verificar os níveis da vitamina D, faz-se o doseamento deste composto.No rim, transforma-se em calciferol.







Atualmente, sugere-se que a vitamina D atua como uma pró-hormona, devido à amplitude da sua ação e ao facto de todas as células do organismo humano terem recetores para esta substância. A investigação científica recente vem mostrando que esta vitamina tem múltiplas ações no organismo, com grande importância na intervenção no sistema imunitário.

O seu deficit promove a osteoporose e as patologias dentárias, aumenta a incidência dos cancros da mama, da próstata e do cólon, da depressão e das doenças cardiovasculares. O baixo nível de vitamina D está também associado a doenças autoimunes, tais como a esclerose múltipla, que é aquela em que a evidência científica é mais contundente.

Existem mais de 3.600 estudos científicos publicados que mostram a relação entre esclerose múltipla e a deficiência em vitamina D. Nestes doentes, as doses de suplementação com a vitamina D devem ser definidas individualmente, levando em consideração diversos fatores. O tratamento deve ser realizado sempre sob supervisão de equipa multidisciplinar (nutricionista e médico), com o devido acompanhamento laboratorial e dieta adequada.

A vitamina D é reconhecida como um nutriente essencial da dieta, mas apresenta alguns problemas - existe em quantidades significativas, mas num número bastante reduzido de alimentos, tais como nos peixes gordos (salmão ou a sardinha), no fígado, na gema de ovo e nos cogumelos shiitake. Seria necessário comermos todos os dias estes alimentos para ingerirmos os valores necessários de vitamina D, o que não é muito aconselhável nem prático.

Esta vitamina pode também ser fabricada por nós, sob determinadas condições, através da exposição solar. Na atualidade, segundo muitos estudos parecem induzir, a quantidade produzida da referida vitamina não é a necessária para satisfazer o nosso aporte diário. Para isso, era preciso que a pele estivesse exposta à luz solar por tempo suficiente, desprovida de protetor solar. Acresce que, sobretudo nos meses de maior intensidade de radiação solar, há uma preocupação com o aparecimento de cancro da pele, tendo levado a um aumento do uso de protetores solares, reduzindo, assim, drasticamente a produção de vitamina D. A título de exemplo, um creme solar com um com fator de proteção 30 reduz a 100% a capacidade de produzirmos vitamina D; um de fator 8 reduz, aproximadamente, a 95 por cento.

A quantidade produzida depende também de muitos fatores, destacando-se o tempo de exposição, a área de pele exposta, a hora do dia, a estação do ano, a latitude do lugar, o tom de pele (quanto mais escura for a pele, mais difícil é a sua produção), a idade da pessoa (com o envelhecimento, o organismo humano passa a funcionar num ritmo mais lento) e ainda a poluição aérea.

Relativamente às doses diárias recomendadas de vitamina D, cada vez são mais discutíveis a nível mundial, assim como a concentração sanguínea mínima de 25-hidroxi vitamina D encontrada no sangue.

Sugestões:

Parece ser necessário fazer suplementação de Vitamina D, pelo menos nos meses “sem sol”, ou caso não esteja em contacto diário com ele.

Não esqueça que deve apanhar sol diariamente, expondo as pernas, braços, pescoço e face durante, pelo menos, 15 minutos ao início da manhã ou ao fim da tarde, quando a inclinação do sol provoca uma sombra do tamanho da pessoa, para que haja absorção.

Sempre que fizer análises sanguíneas, deve solicitar o doseamento da vitamina D, devendo o aconselhamento ser supervisionado por um nutricionista e um médico.

Procure fazer uma alimentação saudável, incluindo peixes gordos, ovos, manteiga e cogumelos shiitake.

Se é portador de uma doença autoimune, nomeadamente esclerose múltipla, não hesite e procure de imediato pessoal especializado nesta área (equipa multidisciplinar - nutricionista e médico), para que rapidamente façam o seu estudo.

Sorria à vida, corrigindo os seus níveis de Vitamina D, melhorando o seu estado emocional, prevenindo alguns cancros e doenças autoimunes. E nunca se esqueça: a sua saúde é um investimento seu e não dos outros!

Seja feliz                                             

  • Isabel Moreira
  • Nutricionista
  • Pós graduação em Fitoterapia







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