Maria Carneiro

Escolher a alimentação saudável

Por Maria Carneiro em Janeiro de 2012

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 7
120 visualizações

Nunca é demais repetir e lembrar que a nossa saúde e bem estar estão diretamente ligados às nossas escolhas e à nossa tomada de consciência, acerca do modo como nos alimentamos.

A maior parte das pessoas gasta pouco, ou tempo nenhum, a procurar entender e descobrir, por si mesma, as vantagens e desvantagens de um regime alimentar que se habituou a seguir. Adotam, como um dado adquirido, aquilo que outros decidiram por elas e demitem-se de tomar conhecimento, de se abrirem a uma qualquer alternativa. Quanto a escutar e valorizar os sinais que o próprio corpo lhes envia continuamente, isso ainda faz parte da ficção. Os médicos e os medicamentos existem para resolverem os problemas.

Comer em demasia e sem critério é sinónimo de desenvolvimento económico, mas também de atraso cultural e de falta de responsabilidade. Se nos acostumássemos a ouvir a linguagem do nosso corpo, em vez da linguagem da nossa mente, ou seja, a tirar a cabeça programada do caminho, seríamos muito mais saudáveis, fortes e equilibrados.

Cabe a cada um decidir o que é melhor para si e escolher segundo as suas convicções, gostos e preferências. Para quem escolheu abdicar do consumo de produtos de origem animal é, com certeza, mais fácil sentir-se em harmonia. Quer o tenha feito por questões éticas, em relação aos direitos dos animais, ou à sustentabilidade ambiental, um vegetariano, um macrobiótico ou um crudívero, porque se alimenta de comida mais viva, tem muito mais probabilidades de ser um indivíduo bem mais saudável; tem um sistema digestivo mais limpo, um nível energético mais elevado e maior clareza mental. Torna-se mais consciente da Unidade da vida e do respeito por todos os seres vivos.

Com base no respeito por todos, há que considerar legítimas e válidas as opções de cada um. Esta é a razão que leva a sugerir algumas indicações sobre como neutralizar ou, pelo menos, minimizar os efeitos nocivos que o consumo abusivo de produtos de origem animal causa ao nosso organismo.

A carne - e quando se fala em carne, inclui o peixe -, na sua maior parte, tende a ter níveis altos de gordura e colesterol, especialmente a carne vermelha e peixes gordos como o atum e o salmão. É, realmente, uma fonte de proteínas mas, segundo os mais naturalistas, é altamente desaproveitada. É também desprovida de fibras, que varrem toxinas e resíduos, para que não sejam absorvidos pelo sangue.

Este tipo de alimentos vai fazer com que se produza mais ácido
clorídrico no estômago que, por sua vez, vai tornar o sangue mais ácido
e, consequentemente, tornar-nos mais suscetíveis ao surgimento de
doenças devastadoras. Beber em jejum, todos os dias, um copo de água com
sumo de um limão ajuda a neutralizar essa acidez. Assim como comer
frutas ácidas, cebolas, tomates, rabanetes e pimentos.

Qualquer
tipo de gorduras e óleos de origem animal promovem a produção de
radicais livres. Para combater os radicais livres, que são responsáveis
pelo processo de envelhecimento e por todas as doenças degenerativas
ligadas a ele, o ideal é consumir alimentos ricos em antioxidantes, tais
como legumes e hortaliças frescos, frutos, grãos e feijões.

Estes
alimentos são compostos por algumas substâncias, os fitoquímicos, que
trazem grandes benefícios para a saúde. Para além de protegerem as
células contra os radicais livres, reduzem os níveis de LDL (colesterol
mau) e aumentam os níveis de HDL (colesterol bom). Neutralizam
substâncias tóxicas para o organismo, auxiliam na fabricação de enzimas
naturais e fluidificam o sangue. Aqui, convém salientar a importância de
incluir vegetais de folhas verdes em qualquer tipo de dieta. São
alimentos maravilhosos, fonte forte e segura de minerais variados,
vitaminas, aminoácidos, enzimas e muita vitalidade. Quando ingeridos,
libertam na corrente sanguínea a clorofila. A clorofila (que colora as
folhas verdes) capta e processa a energia irradiada do sol e a sua
estrutura química é muito parecida com a da hemoglobina. É chamada de
sangue verde e fornece muita energia. Para além de vivificar e renovar
todo o sistema, inibe a vontade de comer comida ruim.

Muitos
vegetais, tal como os cereais, são também ricos em fibras, e vão
compensar as carências do regime carnívoro. As nozes e os frutos secos
são ótimos substitutos proteicos da carne, do peixe e dos ovos.

Existem também diversos tipos de chás que podem ajudar ao equilíbrio, com as suas propriedades depurativas e estabilizadoras.

A
dieta portuguesa não prima pelo equilíbrio. É bastante deficiente em
frutos e produtos hortícolas e rica em gorduras e proteínas.

A
roda dos alimentos dá-nos uma orientação sobre uma dieta equilibrada. Na
base da nossa alimentação devem estar sempre os cereais, os frutos e as
verduras, que se devem comer a todas as refeições. Também os farináceos
e as leguminosas podem e devem ser consumidos diariamente. Ovos, carnes
brancas, peixe e marisco só algumas vezes por semana; carnes vermelhas,
apenas duas ou três vezes por mês. O queijo e os iogurtes, sempre com
moderação. Doces, somente uma ou outra vez por semana.

O vinho
e a cerveja devem ser ingeridos moderadamente. O vinho possui alta
quantidade de antioxidantes e diminui o risco de doenças
cardiovasculares. Deve ser consumido durante as refeições, pois a
presença de alimentos ameniza os efeitos tóxicos do álcool no organismo.
A água. Sempre.

O azeite é a gordura mais indicada e deve ser
consumido em pequenas porções, todos os dias, uma vez que tem um valor
calórico muito elevado e, em excesso, contribui para o aumento de peso.

Acima de tudo, opte, sempre que possível, por alimentos frescos, da época, da região e sem processamento químico.

A
tendência ao sedentarismo e o excesso de comida provocam desequilíbrio e
desenvolvimento de patologias como a obesidade, doenças
cardiovasculares e cancro.

A melhor maneira de mudar um hábito
profundamente enraizado não é “arrancá-lo pelas raízes”, mas sim
“plantar” e cultivar um hábito diferente, dando a esse novo hábito muito
carinho e atenção, para que ele floresça e faça murchar o outro.

Se
nos dispusermos a manter uma dieta equilibrada e criarmos o hábito de
alguma actividade física, estaremos certamente a promover a nossa saúde e
bem estar.

Maria Carneiro




ARTIGO SUGERIDO

O Método de Feldenkrais  - o Caminho da Consciência.

O Método de Feldenkrais - o Caminho da Consciência.

Pedro Figueiredo
Por Pedro Figueiredo em Maio de 2021
Tema Saúde / Publicado na revista Nº 20
228 visualizações

Dr. Moshe Feldenkrais, engenheiro e físico apaixonou-se pela capacidade que o ser humano tem de aprender, e usando o movimento como ferramenta de pesquisa ...
Ler mais

OUTRAS LEITURAS

Murmúrios de um Tempo Anunciado

Por Pedro Elias
Caminhos de Pax, Lda.
627 visualizações
Murmúrios de um Tempo Anunciado é um romance histórico que atravessa um dos períodos mais intensos do Cristianismo. De Décio a Constantino, das perseguições à instauração do dogma, de ...
Ler mais